Demência Pós-Traumática: Causas, Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

A Demência Pós-Traumática (DPT) é uma condição neurodegenerativa caracterizada por declínio cognitivo progressivo que ocorre como consequência de um traumatismo cranioencefálico (TCE).

O que é Demência Pós-Traumática?

A Demência Pós-Traumática (DPT) é uma condição neurodegenerativa caracterizada por declínio cognitivo progressivo que ocorre como consequência de um traumatismo cranioencefálico (TCE). Esse declínio afeta memória, raciocínio, linguagem, comportamento e funções executivas, impactando significativamente a qualidade de vida e a funcionalidade diária do indivíduo.

A DPT pode se manifestar meses ou anos após um traumatismo craniano moderado a grave e está frequentemente associada a lesões axonais difusas, hematomas cerebrais e danos ao hipocampo e córtex pré-frontal.

Importante: A Demência Pós-Traumática é diferente da Síndrome Pós-Concussiva, que inclui sintomas como dor de cabeça, tontura e problemas de concentração, mas não apresenta declínio cognitivo progressivo.

Como ocorre a Demência Pós-Traumática?

A Demência Pós-Traumática ocorre devido a danos cerebrais causados por impacto direto, aceleração/desaceleração súbita ou penetração no crânio. Esses danos resultam em:

  • Lesões axonais difusas, afetando a comunicação entre os neurônios.
  • Hematomas cerebrais, causando compressão do tecido cerebral.
  • Danos ao hipocampo, responsável pela formação de novas memórias.
  • Lesões no córtex pré-frontal, afetando o raciocínio, julgamento e controle emocional.
  • Acúmulo de proteínas anormais, como beta-amiloide e tau fosforilada, semelhantes ao Alzheimer.
  • Diminuição da neuroplasticidade e morte neuronal progressiva.

A repetição de traumatismos cranianos aumenta significativamente o risco de DPT, como ocorre em atletas de esportes de contato (futebol americano, boxe, rugby) e veteranos militares.

Fatores de Risco para Demência Pós-Traumática

  • Traumatismo craniano moderado a grave, incluindo contusões cerebrais e lesões axonais difusas.
  • Repetição de lesões cerebrais, como em concussões repetitivas em esportes de contato.
  • Duração prolongada de amnésia pós-traumática e perda de consciência após o TCE.
  • Idade avançada no momento da lesão, aumentando a vulnerabilidade ao declínio cognitivo.
  • Histórico familiar de demências, como Alzheimer ou Demência Frontotemporal.
  • Fatores genéticos, incluindo a presença do alelo APOE-e4, associado ao Alzheimer.
  • Doenças pré-existentes, como diabetes, hipertensão e transtornos psiquiátricos.
  • Abuso de substâncias, como álcool e drogas, que agravam os danos cerebrais.

Sintomas da Demência Pós-Traumática

Os sintomas da DPT podem se manifestar meses ou anos após o TCE e progredir ao longo do tempo. Eles incluem:

1. Sintomas Cognitivos:

  • Perda de memória, especialmente memória recente e dificuldade em formar novas memórias.
  • Dificuldade de concentração e distrabilidade fácil.
  • Declínio nas funções executivas, como planejamento, organização e resolução de problemas.
  • Desorientação espacial e confusão sobre tempo e lugar.
  • Dificuldade na linguagem, incluindo problemas em encontrar palavras e construir frases coerentes.
  • Raciocínio lento e lentificação do pensamento.

2. Sintomas Comportamentais e Emocionais:

  • Mudanças de personalidade, incluindo irritabilidade, agressividade e impulsividade.
  • Depressão, ansiedade e mudanças de humor repentinas.
  • Apatia, falta de motivação e isolamento social.
  • Agressividade verbal ou física, especialmente em situações de frustração.
  • Comportamentos inadequados, incluindo desinibição social.

3. Sintomas Funcionais:

  • Dificuldade em realizar tarefas diárias, como gerenciar finanças, higiene pessoal e culinária.
  • Dificuldade em manter o emprego devido à baixa produtividade e dificuldade em seguir instruções.
  • Perda de habilidades sociais e dificuldade em manter relacionamentos.
  • Diminuição da capacidade de julgamento e tomada de decisões inadequadas.

4. Sintomas Neurológicos:

  • Dores de cabeça crônicas e tonturas.
  • Problemas de equilíbrio e coordenação motora.
  • Alterações na visão, como visão borrada e sensibilidade à luz.
  • Alterações no sono, incluindo insônia e sonolência diurna excessiva.

Diagnóstico da Demência Pós-Traumática

O diagnóstico é feito com base em:

  • Histórico Clínico Completo: Investigação do histórico de traumatismo craniano, sintomas cognitivos e comportamentais.
  • Entrevista Clínica: Avaliação do declínio cognitivo, mudanças de personalidade e funcionalidade diária.
  • Avaliação Neuropsicológica: Testes de memória, atenção, linguagem, funções executivas e habilidades sociais.
  • Escalas de Avaliação Cognitiva:
  • Mini Exame do Estado Mental (MEEM).
  • Montreal Cognitive Assessment (MoCA).
  • Clinical Dementia Rating (CDR).

Exames de Imagem Cerebral:

1. Ressonância Magnética (RM) do Cérebro:

  • Identifica atrofia cerebral, especialmente no hipocampo e córtex pré-frontal.
  • Lesões axonais difusas e micro-hemorragias cerebrais.
  • Hiperintensidades na substância branca associadas a traumas cerebrais.

2. Tomografia Computadorizada (TC) do Cérebro:

  • Para descartar hematomas subdurais, hemorragias intracranianas e hidrocefalia.

3. Tomografia por Emissão de Pósitrons (PET Scan):

  • Avalia o metabolismo cerebral e o acúmulo de beta-amiloide, associado ao Alzheimer.

Tratamento da Demência Pós-Traumática

Não há cura para a DPT, e o tratamento visa controlar os sintomas, melhorar a funcionalidade e qualidade de vida. Inclui:

1. Tratamento Medicamentoso:

  • Inibidores da Acetilcolinesterase (Donepezila, Rivastigmina) para melhorar a cognição.
  • Memantina para modular o glutamato e proteger os neurônios.
  • Antidepressivos (ISRS), como Sertralina, para tratar depressão e ansiedade.
  • Estabilizadores de Humor, como Lamotrigina, para mudanças de humor e agressividade.
  • Analgésicos para controle de dores de cabeça crônicas.

2. Tratamento Psicoterapêutico:

  • Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) para controle emocional e comportamento adaptativo.
  • Reabilitação Cognitiva, com exercícios de memória, atenção e funções executivas.
  • Psicoterapia de Apoio para suporte emocional e adaptação às mudanças cognitivas.

3. Intervenções Psicossociais:

  • Educação sobre a DPT para o paciente e familiares.
  • Grupos de apoio para compartilhar experiências e estratégias de enfrentamento.
  • Apoio ocupacional para adaptação no ambiente de trabalho.

Conclusão

A Demência Pós-Traumática é uma condição neurodegenerativa complexa, mas com diagnóstico precoce, intervenções terapêuticas e suporte adequado, é possível melhorar a funcionalidade cognitiva, social e a qualidade de vida.

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